Grupo estatal da China que atua em diversas áreas abriu filial no
Brasil em 2018 e fará parte de três lotes das obras de expansão do ramal
de Metrô até a Penha
Vencida por empresas com situação financeira precária, a licitação
de expansão da Linha 2-Verde do Metrô em direção à Penha e
posteriormente Guarulhos parecia um certame morto. Leiloada em 2013 e
com contrato assinado em 2014, o projeto esteve em compasso
de espera até meados deste ano quando a gestão Doria decidiu retomá-lo.
Com parte das construtoras envolvida na Lava Jato e em recuperação
judicial, causou estranheza que o governo do estado visse nesses grupos
alguma esperança de realizar os serviços previstos.
A fragilidade dessas empresas ficou bastante clara nesta
quarta-feira (11) após serem divulgados aditivos aos contratos dos lotes
vencidos pela Mendes Júnior. A construtora, uma das mais tradicionais
do país, está atualmente em recuperação judicial e teve
seu contrato rescindido unilateralmente pelo governo do estado por
conta de problemas na execução das obras do Rodoanel Norte. No entanto,
ela venceu nada menos que quatro dos oito lotes da obra de 14 km que
praticamente duplicará o movimento de passageiros
da Linha 2.
Para contornar o problema, o governo do estado assinou três
aditivos admitindo a entrada do grupo chinês PowerChina em três dos
quatro lotes – o último está suspenso enquanto as desapropriações são
realizadas. Assim como muitas empresas da China, a PowerChina
é uma estatal gigante e que consta da lista das 500 maiores empresas do
mundo da Fortune – é a 161ª colocada em 2019. A subsidiária brasileira
foi aberta em julho do ano passado, mas a PowerChinha já atua no Brasil
há mais tempo por meio de uma empresa coligada.
Segundo declarou ao jornal Valor Econômico, o secretário Alexandre
Baldy (Transportes Metropolitanos) considerou a entrada da empresa
chinesa fundamental para que as obras de expansão da Linha 2-Verde
possam ser iniciadas em 2020.
Enfim, chineses nas obras de infraestrutura
Os três lotes em que a PowerChina participará a partir de agora
envolvem as estações Orfanato, Água Rasa, Anália Franco, Guilherme
Giorgi e Nova Manchester, além de túneis, terminal de ônibus e outras
construções menores. No total, os contratos somam um
valor de cerca de R$ 1,54 bilhão em valores da época.
Desde julho, o governo do estado autorizou que as empresas
contratadas produzam os projetos executivos que darão subsídios para as
obras civis de fato. A expectativa é de a ordem de serviço para início
dos trabalhos ocorra em meados de 2020. A maior parte
dos terrenos desapropriados já está de posse do Metrô, o que certamente
facilitará a instalação de canteiros.
Segundo a secretaria, a extensão da Linha 2 até a Penha terá 8,3 km
e custo estimado em R$ 5,5 bilhões. Embora não tenha citado prazos, o
governo já estimou concluir o trecho até 2025, aproximadamente. Além da
Mendes Júnior, fazem parte dos consórcios
contradados empresas como a Cetenco, F. Guedes, Ghella, Consbem, Galvão
Engenharia, Somague, Acciona (que deve assumir também a Linha 6) e a
CRASA, que substituiu outra empresa do grupo, a CR Almeida, atualmente
inidônea em São Paulo.
Com a participação da PowerChina nas obras da Linha 2, enfim o país
assumirá uma obra de infraestrutura no estado após participarem de
algumas licitações e terem demonstrado interesse em outros projetos como
o da Linha 17. O governador Doria chegou a visitar
a China em agosto para apresentar os projetos mais relavantes na área,
porém, até então os chineses não chegaram a mostrar muita agressividade
nesses leilões. Espera-se que esse quadro possa melhorar em 2020 quando
teremos algumas concessões importantes na
rede metroferroviária. Há uma grande expectativa sobre o trabalho
dessas empresas no Brasil onde é preciso mais do que apenas dinheiro
para destravar projetos.
Fonte: Metrô CPTM
